Carson McCullers, a saga de Xico Sá. Por Cecilia Giannetti.
Segunda-feira, Julho 06, 2009
Terça-feira, Junho 30, 2009
Sexta-feira, Junho 26, 2009
LAR, ARMANDO FREITAS FILHO
Foto: Tomás RangelConversei com o poeta Armando Freitas Filho para o Saraiva Conteúdo. Um longo papo sobre seu novo livro de poemas, 'Lar', AQUI! No Blog de Letras: dois novos poemas, AQUI!
HOMEMÚSICA
Não fui um jovenzinho apaixonado por Michael Jackson (nem por Madonna!). Ouvi muito Beatles, Renato Russo e Raul Seixas. Serve?
Não aguento mais: "Michael Jackson morreu, né?" Em todo lugar - elevador, banheiro, mesa de trabalho, casa - as pessoas estão monotemáticas. Ok ele era pop etc. e tals. Mas por que ficar triste? Ele não queria ficar jovem? Morrer aos 50 anos foi melhor. Não acha?
Ontem fui assistir a peça 'Homemúsica', do Michel Melamed, a última parte da Trilogia Brasileira (‘Regurgitofagia’ e ‘Dinheiro Grátis’). Entonces, no final do espetáculo Melamed soube que o Jackson tinha ido embora com a turma da Caverna do Dragão e resolveu homenageá-lo. O que ele cantou?
Como Vovó Já Dizia: Quem não tem colírio / Usa óculos escuros. Raul. Faz Sentido.
Para quem deseja entender a cabeça do "primeiro transracial da história", indico a leitura de um texto antológico do Francisco Bosco: O COMEDOR DE CRIANCINHAS - publicado no livro de ensaios ‘Banalogias’ (Objetiva, 2007). Leia, AQUI!
Para dar sorte, bebi a morte de Michael Jackson na Cinelândia. Lembrei do Lula e do Sarney, devem estar bebendo cachaça, alegres.
Terça-feira, Junho 23, 2009
Terça-feira, Junho 16, 2009
VÍDEO INÉDITO DE CAIO F.

Domingo, Junho 14, 2009
SOBRE AFETOS
A solidão me expulsa do quarto, ligo para dois ou três amigos, todos compromissados, amando. Decido ir ao restaurante OTTO – na esquina da Uruguai com a Conde de Bonfim – um lugar charmoso que serve petiscos alemãs e um bom vinho. Fico apenas com uma garrafa de vinho chileno. O restaurante está lotado, eu e uma mulher loura somos os únicos solteiros, ou melhor, desacompanhados. Casais acariciam o rosto um do outro, beijam com tesão.
Na extremidade oposta a minha mesa, entre um casal de gordinhos apaixonados, há um casal gay, dois jovens de aproximadamente vinte e tantos anos. Eles se comportam exatamente com os outros casais, demonstrando afeto, sem pudor – como se deve fazer. Fico admirado com a coragem e atitude dos meninos num bairro extremamente conservador, habitado pela tradicional família hipócrita tijucana.
No mundo real, nas mesas em volta, os casais se sentem constrangidos, se cutucam, falam baixinho, apontam, escondem risinhos (não se sabe se de ironia ou nervosismo). Os funcionários da casa, preocupados com a moral e os bons costumes, começam a se articular para acabar com alegria dos meninos. Uma garçonete se planta do lado da mesa, como quem diz: “Pára com a sem vergonhice! Respeitem os nossos clientes”. Não adianta. Os jovenzinhos apaixonados não têm olhos para mais nada.
Um garçom fala com outro, que aponta, balança a cabeça em reprovação e comenta baixinho, esperando minha cumplicidade: “Hoje o dia está fresco mesmo, né?”, depois se afasta sem graça. O maitre se aproxima, serve meu vinho e diz: “Absurdo, não?” Não acho, respondo. Ele se cala e sai. Rapidamente, chegam outros funcionários, que olham os meninos se beijando com se estivessem num zoológico admirando uma girafa. Eles se reúnem na frente do restaurante e começam a cochichar alto, a espera da ‘aprovação’ de um dos clientes – suponho.
“Vocês estão incomodados com o casal gay?”, pergunto ao coletivo. Um dos funcionários, penso que seja o gerente, diz (balançando seu rabo de cavalo louro): “É que aqui não é o lugar mais apropriado para essas coisas. Entende?”. Um casal ao meu lado também reage: “Preconceito?” O grupinho de funcionários se desfaz resmungando algo que não entendo - provavelmente xingamentos.
Entre o exercício do direito individual e o respeito ao direito da coletividade daqueles que se sentem desconfortáveis com a alegria alheia, fico com o exercício da individualidade. Afeto é a expressão do sentimento – o óbvio, às vezes, precisa ser relembrado.


